Todo o gestor de frota e todo o dono de uma pequena empresa que compra gasóleo ou gasolina em volume aprendeu a mesma lição da pior maneira: o preço que pagou no mês passado não diz quase nada sobre o que vai pagar no próximo. Essa imprevisibilidade não é um pequeno incómodo. Aparece diretamente nas suas margens, nas propostas aos clientes e na sua capacidade de planear para lá de umas poucas semanas.
Porque é que o custo do combustível é tão difícil de prever neste momento
Os preços do petróleo não mexem isolados. Reagem à geopolítica, à força das moedas, às expectativas sobre as taxas de juro e às questões da oferta física, tudo ao mesmo tempo, muitas vezes na mesma semana. Neste momento várias dessas forças estão a puxar em sentidos diferentes.
O petróleo subiu nas últimas sessões com os receios crescentes de perturbações no abastecimento, um lembrete de que, mesmo depois de um pico ligado à guerra ter acalmado e de o Brent ter recuado dos máximos, o risco de fundo não desapareceu. As refinarias apresentaram uma época de resultados invulgarmente forte à conta dessa volatilidade, e isso diz-lhe algo importante: quando o crude oscila com força, as empresas em posição de lucrar com as oscilações raramente são as que compram combustível na bomba ou para o depósito. Normalmente são as que o vendem.
Junte a isso um mercado obrigacionista em que os operadores não veem um fim claro para as vendas, com as rendibilidades de longo prazo a atingir novos máximos. Rendibilidades a subir tendem a reforçar o dólar, e um dólar mais firme torna o petróleo, cotado em dólares no mundo inteiro, mais caro para quem compra com moedas mais fracas. As moedas asiáticas já estavam a consolidar face ao dólar, e mais pressão sobre o apetite pelo risco pode acentuar isso. Entretanto, o ouro está a ser procurado na esperança de que a Fed alivie as subidas de juros, o que no fundo é apenas mais um sinal de que os mercados não sabem para onde vão a política monetária e o crescimento.
Nada disto é abstrato para uma empresa com uma frota de entregas ou uma equipa de obra. Significa que o fator que pesa numa parte relevante dos seus custos operacionais está a ser empurrado ao mesmo tempo pelos mercados cambiais, pelas rendibilidades das obrigações e pela política da oferta. Junte mudanças estruturais de mais longo prazo, como os EUA a alargar discretamente a sua presença energética no Iraque ou investidores como Peter Thiel a apostar forte no petróleo de xisto na Argentina, e fica claro que o mercado petrolífero está a ser remodelado de formas que vão continuar a gerar oscilações de preço durante anos, não meses.
O efeito em cadeia do mercado obrigacionista nos orçamentos de gasóleo
É fácil pensar que as taxas de juro e o preço do gasóleo são rubricas sem ligação. Não são. Rendibilidades mais altas aumentam o custo de manter inventários e de financiar a exploração e a produção, e isso acaba por passar para os preços grossistas do combustível. Também reforçam o dólar, o que muda o custo relativo do petróleo para grande parte do mundo. Uma empresa que só olha para o painel de preços na bomba perde os sinais a montante, que muitas vezes mexem primeiro.
O que faz realmente um preço máximo fixo
Um acordo com preço máximo é simples no conceito, mesmo que as forças de mercado por trás não o sejam. Acorda um preço máximo por galão para um volume definido durante um período definido. Se o preço de mercado subir acima desse teto, continua a pagar o preço do teto. Se o preço de mercado descer abaixo, paga o preço de mercado, mais baixo. Tem a proteção de um teto sem abdicar do benefício de uma descida.
Isto é diferente de simplesmente comprar antecipadamente um volume fixo a um preço fixo aconteça o que acontecer. Um contrato puro a preço fixo retira tanto o risco de subida como a vantagem de uma descida. Um teto de preço só retira o risco de os custos dispararem, deixando-o ainda aproveitar as poupanças se os preços aliviarem. Para uma empresa que tem de orçamentar trabalhos, fixar tarifas de entrega ou construir um orçamento anual, essa distinção conta. Não está a tentar adivinhar para onde vai o petróleo. Está a tentar garantir que um mau palpite, ou um mau trimestre para o mercado petrolífero, não lhe rebenta com as contas.
Pense no que aconteceu durante o pico recente ligado ao conflito no Médio Oriente. O Brent disparou e depois recuou quando o risco agudo passou. Uma empresa sem qualquer proteção de preço nesse período absorveu todo o custo do pico em cada galão comprado no ponto mais alto, sem forma de reaver esse dinheiro. Uma empresa com um preço máximo em vigor pagou a tarifa do teto no pior momento e voltou a pagar o preço de mercado quando os preços aliviaram. A diferença não é teórica. Aparece na linha do combustível da sua demonstração de resultados.
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A certeza de preço serve a sua empresa?
Nem todas as empresas precisam deste tipo de acordo, e vale a pena dizê-lo com honestidade antes de se comprometer com o que quer que seja.
Se a sua despesa de combustível é pequena face aos custos totais, ou se consegue passar as subidas de preço para os clientes depressa e sem atrito, o argumento para garantir um teto é mais fraco. Já tem uma flexibilidade natural.
Mas se trabalha com margens apertadas, dá preços fixos aos clientes com semanas ou meses de antecedência, gere uma frota em que o combustível é uma das três maiores despesas, ou simplesmente quer deixar de ser surpreendido pelo número na bomba, a conta muda. Os negócios sazonais vivem uma versão particular deste problema: uma empresa de jardinagem, uma de remoção de neve ou um transportador regional muitas vezes tem de fixar os preços aos clientes para uma época inteira antes de saber quanto vai custar o combustível nas semanas de mais trabalho. Esse desfasamento entre quando põe preço aos seus serviços e quando paga o combustível é exatamente a diferença que um acordo de preço máximo foi pensado para fechar.
Perguntas a fazer antes de assinar o que quer que seja
Antes de se comprometer com qualquer fórmula de proteção de preço, obtenha respostas claras sobre alguns pontos práticos. Pergunte que compromisso de volume é exigido e se corresponde ao seu consumo real, porque comprometer-se com mais do que vai usar contraria o objetivo. Pergunte como é fixado o preço do teto e com que frequência é revisto, porque um teto demasiado perto dos preços de mercado atuais oferece pouca proteção real. Pergunte o que acontece se as necessidades de combustível da sua empresa mudarem a meio do acordo, se fica preso de forma rígida ou se tem margem para ajustar. E pergunte pelo historial do fornecedor, porque um teto de preço só vale o que vale a empresa que o sustenta quando os preços disparam a sério.
Onde a FuelAnchor entra neste quadro
Este é exatamente o problema à volta do qual a FuelAnchor foi criada. Trabalhamos com frotas e pequenas empresas para fixar um preço máximo garantido por galão para um volume acordado durante um prazo acordado, para que um pico do petróleo não se transforme numa crise de orçamento. Fica com o benefício se os preços descerem, e tem um teto firme se não descerem. É fornecimento de combustível com um número com que pode realmente planear, não uma aposta sobre o próximo sentido do mercado.
Um próximo passo prático
O contexto atual, com o petróleo a subir por receios de abastecimento, um mercado obrigacionista que continua a empurrar as rendibilidades para cima e um dólar a encontrar novo apoio, é exatamente o tipo de ambiente em que os custos do combustível deixam de se comportar de forma previsível. Não precisa de prever para onde vai o petróleo para proteger a sua empresa do resultado. Reúna a sua despesa de combustível dos últimos doze meses, descubra que oscilação percentual do preço prejudicaria de facto as suas margens, e use esse número como ponto de partida para uma conversa sobre um acordo de preço máximo. É um exercício mais útil do que tentar adivinhar o que o petróleo vai fazer no próximo trimestre, e pode fazê-lo esta semana.
Este artigo traduz um guia escrito para o mercado norte-americano; os preços estão expressos por galão. O método vale da mesma forma para uma empresa em Portugal.
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