O custo do combustível não se mexe da mesma maneira em Houston, em Los Angeles ou em Chicago, e qualquer gestor de frota que orçamente a partir de uma única média nacional está a trabalhar com uma imagem incompleta. Os Petroleum Administration for Defense Districts, ou PADD, dividem o país em cinco zonas segundo a capacidade de refinação e a infraestrutura de oleodutos, e essas zonas comportam-se como mercados separados, com o seu próprio nível de base, os seus próprios picos e o seu próprio ritmo de recuperação. Saber onde caem as suas rotas nesse mapa é uma das formas mais simples de afinar um orçamento de combustível.
Porque é que as fronteiras dos PADD continuam a contar
O sistema dos PADD remonta ao planeamento do racionamento durante a Segunda Guerra Mundial, mas nunca desapareceu porque a lógica de fundo nunca desapareceu. Refinarias, oleodutos e terminais de importação são ativos fixos. As refinarias da Costa do Golfo abastecem grande parte do país através de redes de oleodutos, enquanto a Costa Oeste funciona quase como uma ilha, com poucas ligações por oleoduto ao exterior e uma especificação de mistura própria ligada às regras ambientais da Califórnia. Esse isolamento vê-se diretamente nos preços na bomba e nos mercados grossistas.
Para uma frota com rotas regionais, isto significa que dois camiões com quilometragem semelhante em PADD diferentes podem apresentar no mesmo dia rubricas de combustível muito diferentes, mesmo antes de contar com os impostos estaduais sobre o combustível ou com a concorrência local. Os despachantes e as equipas financeiras que ignoram isto acabam ou por orçamentar de menos os corredores costeiros, ou por pagar de mais por uma proteção contra o risco do combustível de que não precisam nos corredores mais baratos.
A referência nacional: quanto os preços já se mexeram
A nível nacional, o gasóleo começou o ano numa média de 3,52 USD por galão, subiu até um máximo de 5,59 USD, um salto de 59 %, e está agora em 5,33 USD. A gasolina normal seguiu um arco parecido: uma média de 2,70 USD em janeiro, um máximo de 4,35 USD, mais 61 %, e um preço atual de 4,11 USD. Os preços recuaram dos máximos, mas continuam bem acima do nível com que os orçamentos foram fixados no início do ano. Quem fechou os pressupostos de combustível no 1.º trimestre está agora a trabalhar com números que já não refletem a realidade em nenhum dos dois combustíveis.
Esse fosso entre o orçamento inicial e o custo atual é o verdadeiro problema das frotas. Uma oscilação de 59 a 61 % no gasóleo não é um erro de arredondamento numa demonstração de resultados. Para uma frota que gasta dezenas de milhares de galões por mês, um movimento destes transforma a rubrica de combustível, de um centro de custos controlável, na maior fonte de incerteza orçamental do negócio.
Costa do Golfo (PADD 3): o motor da refinação, com o seu próprio teto
O PADD 3, a região da Costa do Golfo que vai do Texas ao Alabama passando pelo Luisiana, concentra a maior densidade de capacidade de refinação do país. Essa proximidade da oferta costuma manter aqui os preços abaixo da média nacional, e os números atuais confirmam-no. Na Costa do Golfo, o gasóleo começou janeiro nos 3,23 USD, atingiu um máximo de 5,20 USD (mais 61 %) e está agora nos 5,14 USD. A gasolina passou de 2,41 USD em janeiro para um máximo de 3,98 USD, uma subida de 65 %, antes de assentar nos 3,65 USD.
Estar perto da capacidade de refinação não dá imunidade às oscilações mundiais do petróleo. Significa apenas que a região tende a sentir os movimentos um pouco menos em dólares, mesmo quando as oscilações percentuais são comparáveis aos valores nacionais ou, no caso da gasolina, até mais acentuadas. As frotas sediadas no Texas, no Luisiana ou no corredor do Golfo em geral continuam a ter de planear para uma volatilidade real. Só partem de um patamar mais baixo.
Texas: um barómetro dentro do PADD 3
Os preços da gasolina no Texas acompanham de perto o padrão geral da Costa do Golfo, mas partiram de uma base ainda mais baixa: 2,37 USD em janeiro, depois um máximo de 3,96 USD, um salto de 67 %, antes de descerem para os atuais 3,60 USD. Para as frotas sediadas no Texas ou com rotas sobretudo texanas, essa oscilação de 67 % é um lembrete útil de que nem os mercados de combustível mais baratos do país estão protegidos das forças que mexem com os preços em todo o lado. O movimento percentual aqui chegou a ultrapassar a subida nacional da gasolina.
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Costa Oeste (PADD 5): a zona estruturalmente cara
O PADD 5 abrange a Califórnia, o Oregon, Washington e os estados não contíguos, e há muito que tem os preços de combustível mais altos do país, devido às ligações de refinação limitadas, aos impostos estaduais mais elevados e às misturas de combustível especiais. Os números deste ano confirmam que o padrão se manteve. O gasóleo abriu janeiro nos 4,18 USD, subiu a um máximo de 6,72 USD, mais 61 %, e está agora nos 6,13 USD. A gasolina passou de 3,39 USD em janeiro para um máximo de 5,25 USD, uma subida de 55 %, e negoceia agora nos 4,75 USD.
O que salta à vista é que, embora as subidas percentuais da Costa Oeste estejam mais ou menos em linha com os valores nacionais e da Costa do Golfo, ou ligeiramente abaixo, o impacto em dólares é muito maior porque a base de partida já era muito alta. Uma frota com rotas na Costa Oeste não paga apenas mais por galão: absorve uma subida de custo absoluta maior por cada ponto percentual de movimento do mercado do petróleo. Isso faz do planeamento orçamental de uma operação muito centrada na Califórnia um exercício completamente diferente do das rotas da Costa do Golfo ou do Midwest.
Califórnia: o caso extremo
Os números da Califórnia mostram até onde isto pode ir. O gasóleo começou o ano nos 4,66 USD, atingiu um máximo de 7,42 USD, uma subida de 59 %, e está agora nos 6,92 USD. A gasolina passou de 4,01 USD em janeiro para um máximo de 5,97 USD, mais 49 %, e está agora nos 5,66 USD. Repare que as subidas percentuais da Califórnia foram na verdade menores do que as médias nacionais nos dois combustíveis. O estado simplesmente partiu de um nível de preços muito mais alto e manteve-se lá durante todo o período. Para as frotas com qualquer exposição à Califórnia, o custo do combustível por milha nesse estado precisa de uma rubrica própria, e não de uma média misturada tirada dos valores nacionais.
O que está a alimentar a volatilidade neste momento
As forças por trás destas oscilações não são puramente internas. As notícias de que não há conversações previstas entre o Irão e os Estados Unidos fizeram subir os preços do petróleo nas últimas sessões, com efeitos nas yields das obrigações do Tesouro e num dólar mais firme, dois sinais de que os operadores estão a descontar um risco geopolítico duradouro e não uma solução rápida. Os analistas que acompanham a região descrevem as perspetivas gerais como frágeis, notando que um entendimento diplomático continua possível neste trimestre, mas está longe de estar garantido.
Do lado da oferta, as margens de refinação mantiveram-se suficientemente fortes para a BP anunciar um salto acentuado do lucro trimestral, mais do que duplicando o resultado face ao ano anterior graças a preços do petróleo e do gás mais altos e a um ambiente de refinação mais favorável. Margens de refinação fortes não são em si uma má notícia para quem compra combustível, porque podem sustentar a disponibilidade da oferta, mas confirmam também que os produtores e as refinarias estão a exercer um verdadeiro poder sobre os preços no contexto atual. Para as frotas, essa combinação de incerteza geopolítica e economia da refinação sólida aponta para preços que vão continuar agitados, e não para um regresso próximo à estabilidade de janeiro.
Transformar os dados regionais num orçamento de frota
Nada disto serve de nada se não mudar a forma como uma frota planeia de facto. Alguns passos práticos:
- Associe as suas rotas às regiões PADD e acompanhe o comportamento dos preços separadamente em cada uma, sem o misturar num único número.
- Pondere os seus pressupostos orçamentais para a região onde gasta mais galões, e não só para a média nacional.
- Reveja os orçamentos de combustível pelo menos a cada trimestre, dada a rapidez com que as oscilações percentuais mostradas acima se produziram este ano.
- Separe as zonas caras, como o PADD 5 e a Califórnia, num acompanhamento próprio do custo por milha, para que não distorçam as médias de toda a frota.
É exatamente este tipo de volatilidade regional que torna os acordos de fornecimento de combustível a preço fixo úteis para as frotas que precisam de custos previsíveis. A FuelAnchor fixa um preço máximo por galão para o combustível que compra de facto, de modo que um pico na Costa do Golfo ou uma subida na Costa Oeste não rebentam com um orçamento fixado meses antes. Não se trata de apostar para onde vão os preços do petróleo, mas de conhecer o seu teto seja qual for o PADD por onde os seus camiões estejam a passar.
Tire os seus talões de combustível dos últimos três meses, ordene-os por PADD e veja que parte da sua despesa total está na região mais cara. Esse exercício, por si só, vai dizer-lhe mais sobre onde está de facto o seu risco orçamental do que qualquer média nacional.
Este artigo traduz um guia escrito para o mercado norte-americano; os preços estão expressos em dólares por galão. O método vale da mesma forma para uma frota em Portugal: acompanhar os preços região a região e raciocinar em oscilações percentuais em vez de numa média nacional.
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