Os custos do combustível não se movem da mesma maneira em Houston e em Los Angeles, e qualquer gestor de frota que já tenha comparado cartões de combustível entre regiões sabe-o. A distância entre o que paga à bomba uma operação da Costa do Golfo e o que paga uma frota da Costa Oeste conta-se em dólares por galão, não em cêntimos. Perceber por que existe essa distância, e como se alargou no último ano, é a diferença entre um orçamento que aguenta e um que rebenta com um único trimestre mau.
Porque os PADD dizem mais do que a média nacional
O Departamento de Energia divide o país em cinco distritos de administração petrolífera para a defesa, os PADD, um sistema da era da Guerra Fria que ainda hoje determina como o combustível circula de facto. O PADD 1 cobre a Costa Leste, o PADD 2 o Midwest, o PADD 3 o polo de refinação da Costa do Golfo, o PADD 4 os estados das Montanhas Rochosas e o PADD 5 a Costa Oeste mais o Alasca e o Havai. A capacidade de refinação, o acesso a oleodutos e até as regras de formulação de cada estado diferem bastante entre estas zonas, e é por isso que um preço médio nacional do gasóleo não diz quase nada de útil a um operador sobre o que vai pagar no mês seguinte.
Os números nacionais dão na mesma a tendência geral. O gasóleo começou o ano numa média de 3,52 USD, subiu até 5,81 USD, uma subida de 65 %, e aí está agora, no nível mais alto do ano. A gasolina seguiu um arco parecido: 2,70 USD em janeiro, até 4,47 USD no pico, um aumento de 66 %, e 4,18 USD atualmente. Só estas oscilações já esticariam qualquer orçamento de frota. Mas o retrato regional mostra porque um único número nacional é uma má ferramenta de planeamento.
PADD 3: a vantagem da Costa do Golfo, e os seus limites
O PADD 3, a Costa do Golfo, acolhe a concentração mais densa de capacidade de refinação dos Estados Unidos, e essa proximidade ao abastecimento costuma manter os preços abaixo da média nacional. Os dados confirmam-no. O gasóleo da Costa do Golfo abriu o ano em 3,23 USD, atingiu um máximo de 5,48 USD, mais 70 %, no final de agosto, e desde então aliviou para 5,36 USD, um resultado claramente melhor do que o último preço nacional do gasóleo, 5,81 USD. A gasolina da região passou de 2,41 USD em janeiro para um máximo de 4,02 USD, uma subida de 67 %, antes de assentar em 3,62 USD.
O que as frotas do Texas, do Luisiana ou do Mississípi devem retirar daqui é que a proximidade à refinação não imuniza contra a volatilidade: apenas suaviza a aterragem. Uma oscilação de 67 % na gasolina continua a ser um acontecimento sério para o orçamento, mesmo que os valores em dólares pareçam melhores do que os da Califórnia. A gasolina texana em concreto passou de 2,37 USD em janeiro para um máximo de 4,02 USD, um salto de 70 %, antes de recuar para 3,69 USD. É uma amplitude percentual maior do que a média da Costa do Golfo, o que lembra que os números de um estado podem divergir dos do PADD a que pertencem.
PADD 5: o prémio estrutural da Costa Oeste
Se o PADD 3 mostra o que rende a proximidade à refinação, o PADD 5 mostra o custo da distância, somado a especificações de combustível próprias de cada estado que limitam quais refinarias podem sequer abastecer o mercado. O gasóleo da Costa Oeste partiu de 4,18 USD em janeiro, já bem acima do ponto de partida nacional, atingiu 6,92 USD no pico, mais 66 %, antes de pousar em 6,50 USD, cerca de 70 cêntimos acima da média nacional atual do gasóleo, que já inclui o peso da própria Costa Oeste. A gasolina da região passou de 3,39 USD para um máximo de 5,27 USD, mais 55 %, e está agora em 4,88 USD.
A Califórnia merece rubrica própria porque cota sistematicamente acima mesmo da média do PADD 5. O gasóleo aí começou o ano em 4,66 USD e subiu para 7,71 USD, o nível mais alto do ano e mais 66 %. É um dos valores desta série, a par do gasóleo nacional, em que o último preço coincide com o máximo do ano, e devia ser um alerta para qualquer frota que faça passar camiões pelo estado. A gasolina californiana seguiu um caminho comparativamente mais suave, mais 52 % desde 4,01 USD em janeiro até um máximo de 6,09 USD, agora em 5,81 USD. Até a oscilação suave da Califórnia é pior em dólares do que as piores oscilações de quase qualquer outro ponto do país.
Para uma frota com rotas que tocam Los Angeles, Oakland ou o Vale Central, isto não é uma anomalia passageira à espera de passar. As regras de formulação da Califórnia, a pouca flexibilidade de refinação dentro do estado e a distância ao abastecimento do Golfo são estruturais, não sazonais. Orçamentar os troços californianos de uma rota com o mesmo pressuposto por galão usado para o Texas ou o Sudeste vai gerar uma falha quase sempre.
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Ler as oscilações percentuais, e não apenas os dólares
É tentador olhar só para que estado tem o preço mais alto no painel, mas a amplitude percentual de janeiro ao máximo é provavelmente mais útil para planear, porque mostra quanto o preço de uma região se pode mover independentemente do seu ponto de partida. Os 70 % da gasolina texana foram a oscilação mais acentuada de gasolina desta série, apesar de os seus níveis em dólares estarem entre os mais baixos. Os 67 % da gasolina da Costa do Golfo contam o mesmo. Em contrapartida, os 55 % da gasolina da Costa Oeste e os 52 % da californiana ficaram comparativamente mais contidos, ainda que os níveis em dólares da Califórnia continuem a ser de longe os mais altos do país.
Na prática: uma frota que opera sobretudo no Texas ou na região do Golfo não deve assumir que preços absolutos baixos significam pouca volatilidade. Os movimentos percentuais mostram que esses mercados também podem oscilar com força, apenas a partir de uma base mais baixa. Um orçamento de combustível construído só sobre a média do ano passado, sem plano para uma oscilação acima de 60 %, é um orçamento feito para falhar exatamente no tipo de ano que o setor acabou de atravessar.
O que está a alimentar a volatilidade neste momento
As condições financeiras gerais acrescentam pressão aos habituais fatores de refinação e logística. Dados recentes do mercado de trabalho saíram mais fortes do que o esperado, o que empurrou as taxas das obrigações para cima e reforçou a expectativa de juros altos durante mais tempo, uma dinâmica que chega aos mercados do combustível através do dólar e da avaliação geral do risco. O próprio índice do dólar tem andado irregular de semana para semana, e um dólar mais fraco tende a encarecer o petróleo, cotado internacionalmente em dólares, para os compradores norte-americanos ainda antes de chegar à bomba. Os mercados do gasóleo em particular voltam a receber atenção nas análises recentes dos mercados da energia, o que reflete quão apertado continua o equilíbrio entre produção de refinação e procura de transporte. Nada disto é boa notícia para uma frota que tenta fixar com alguma confiança a sua rubrica de combustível do próximo trimestre.
Passos concretos para um operador
Comece por cruzar as suas rotas reais com as fronteiras dos PADD em vez de assumir que se aplica uma única média regional. Uma frota com rotas mistas pelo PADD 3 e pelo PADD 5 precisa de dois pressupostos de combustível separados, e não de um misturado, porque a mistura esconde precisamente a volatilidade que lhe vai doer.
Ponha no orçamento uma banda mais larga do que julga precisar. Os dados mostram aqui oscilações de 52 % a 70 % num único ano conforme a região. Um orçamento com uma almofada de 10 % não é uma almofada, é um erro de arredondamento perante movimentos desta dimensão.
Acompanhe a Califórnia em separado do resto do PADD 5 se opera lá. O seu preço do gasóleo marcou um novo máximo do ano na última leitura. Não é um mercado à espera de normalizar, é um mercado que pode continuar a subir.
Repense quanta exposição ao preço spot a sua frota consegue realmente tolerar. É aqui que um acordo de fornecimento a preço fixo ganha o seu lugar. O modelo da FuelAnchor fixa um preço máximo por galão para o combustível que a frota compra de facto, de modo que um salto da gasolina na Costa do Golfo ou mais uma perna de subida do gasóleo californiano não rebente o orçamento a meio do trimestre. Não é uma forma de apostar na direção dos preços, é uma forma de conhecer o seu teto com antecedência e planear em torno dele.
As frotas que tratam os dados regionais como um dado de planeamento, e não como uma curiosidade, atravessam estas oscilações com muito menos perturbação. O passo seguinte é simples: cruze os seus próprios dados de rota com estes valores por PADD, encontre onde a sua exposição é maior, e decida quanta dessa volatilidade está disposto a continuar a absorver em vez de a fixar.
Os valores citados referem-se ao mercado norte-americano e estão expressos por galão. Para uma frota portuguesa o que se aproveita é o método, não o preço: a média nacional esconde as diferenças regionais, e o que se orçamenta é o intervalo, não a média.
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