O custo do combustível tem o hábito de minar até o orçamento mais cuidadosamente construído. Num trimestre planeia em torno de um número estável; no seguinte, esse número já não significa nada porque uma rota marítima foi perturbada ou uma moeda se mexeu bruscamente contra si. Se gere uma frota, uma empresa de entregas ou qualquer operação em que o combustível seja uma rubrica importante, já conhece esta dor. Este guia explica porque é que o preço do combustível se tornou mais difícil de prever ultimamente, o que essa imprevisibilidade custa realmente a uma empresa e que opções práticas existem para introduzir alguma certeza nos preços.
Porque é que o preço do combustível está mais difícil de prever neste momento
Os mercados do petróleo têm estado invulgarmente nervosos este ano, e as razões empilham-se em vez de surgirem isoladas. Em sessões recentes, os preços do petróleo caíram perante a perspetiva de o Estreito de Ormuz, a estreita passagem marítima por onde circula cerca de um quinto dos envios mundiais de petróleo, poder reabrir com mais liberdade depois de períodos de tensão. À superfície é uma boa notícia, mas também mostra o quão sensível é toda a formação de preços a um único ponto de passagem obrigatório. Uma mudança de tom em torno de um estreito pode mexer com os preços numa única sessão mais do que meses de crescimento ou quebra constante da procura.
Ao mesmo tempo, algumas das maiores petrolíferas deixaram um aviso de outro tipo: as existências mundiais de combustível estão baixas, e quem dá o alarme são os que veem os barris físicos a passar por terminais e oleodutos, não apenas os que olham para gráficos de preços. Essa distinção conta. Quando a oferta física aperta, os picos de preço podem chegar mais depressa e com mais força do que os modelos de preços habituais sugerem, porque há simplesmente menos folga no sistema para absorver uma perturbação.
Os mercados cambiais juntam mais uma camada de ruído. O dólar tem vindo a subir depois de uma série de perdas, e o iene continua sob pressão mesmo depois de uma ação coordenada do Japão e dos Estados Unidos para o sustentar. Os analistas que comentaram essa intervenção foram diretos: segurar uma moeda pode ganhar tempo, mas não inverte as forças estruturais mais profundas que a empurram para baixo. É também uma forma útil de pensar no preço do petróleo. Os movimentos de curto prazo, como a reabertura de um estreito ou uma declaração coordenada de bancos centrais, podem acalmar os mercados durante algum tempo. Não apagam a tensão de fundo na oferta, nem o risco geopolítico que existe por baixo da superfície, nem a sensibilidade das economias importadoras de petróleo a um dólar mais forte, que torna cada barril mais caro para quem paga numa moeda local mais fraca.
Junte-se a isto um ouro que se mantém numa faixa tensa enquanto os investidores esperam pelos dados do emprego nos Estados Unidos e pela evolução no Médio Oriente, e o resultado é um mercado genuinamente indeciso sobre para onde as coisas vão. Mesmo as novas histórias do lado da oferta, como a rápida ascensão da Namíbia na bacia de Orange ou o investimento continuado na zona de xisto argentina de Vaca Muerta, levam anos a traduzir-se em barris significativos no mercado. Contam para o quadro da oferta a longo prazo, mas não ajudam uma empresa que está a tentar planear a despesa de combustível do próximo trimestre.
O que as empresas perdem de facto quando os preços oscilam
Um custo de combustível imprevisível não corrói as margens apenas no mês em que os preços disparam. Estraga o planeamento em toda a empresa. Uma transportadora que orçamenta uma tarifa com base no custo do combustível do mês anterior pode acabar a fazer essa rota com prejuízo se os preços saltarem antes de o trabalho terminar. Uma empresa de jardinagem ou de entregas que fixa contratos anuais com os clientes tem de meter uma grande margem de segurança, o que pode tornar os orçamentos menos competitivos, ou assumir ela própria o risco e esperar pelo melhor.
Há também um custo mais silencioso: o tempo e a atenção que a volatilidade exige. Os donos e os responsáveis financeiros acabam a consultar os títulos sobre o petróleo como outros consultam o tempo antes de uma viagem de carro, a ajustar previsões internas, a renegociar com clientes ou a adiar compras de equipamento porque a rubrica de combustível do orçamento não sossega. Esse recálculo constante é, por si só, um desgaste para uma equipa pequena.
Os financiadores e os investidores também reparam nisto. Uma empresa com custos de combustível a oscilar muito parece mais arriscada no papel do que uma com uma estrutura de custos estável, mesmo que a operação de fundo seja idêntica. Isso pode afetar as condições de financiamento, as conversas com as seguradoras e o à-vontade com que uma empresa assume compromissos de mais longo prazo, como alargar a frota.
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As opções para gerir o risco de preço do combustível
Não há aqui uma única resposta certa. A melhor abordagem depende da dimensão da sua frota, da sua posição de tesouraria e de quanta incerteza consegue tolerar antes de ela começar a afetar outras decisões do negócio.
Acompanhar o mercado sem formalizar nada
Muitas empresas limitam-se a acompanhar os preços de perto e a ajustar-se pelo caminho. Não custa nada à partida e funciona bem quando a volatilidade é moderada. O problema é que deixa a sua empresa à mercê precisamente do tipo de movimentos bruscos descritos acima: um estreito que reabre, uma intervenção cambial que não aguenta, um aviso sobre a oferta vindo de um grande produtor. Se as suas margens forem estreitas, umas poucas semanas más podem desfazer um bom trimestre.
Compra a granel e armazenamento próprio
As frotas maiores compram por vezes combustível a granel e armazenam-no, fixando o preço de um lote de gasolina ou gasóleo antes de o usar. Funciona bem se tiver capacidade de armazenamento, a autorização regulamentar para depósitos próprios e um consumo suficientemente regular para justificar o investimento. Ajuda pouco se os seus volumes forem menores, se as opções de armazenamento forem limitadas ou se precisar de certeza no preço durante mais tempo do que a capacidade dos depósitos permite.
Preços contratuais com fornecedores
Algumas empresas negoceiam diretamente com os fornecedores de combustível acordos de preço de mais longo prazo. Podem oferecer uma proteção parcial, mas as condições variam muito, e muitos continuam a deixar margem para o fornecedor repercutir as oscilações do mercado, consoante a forma como o contrato está redigido. Ler as letras pequenas conta aqui mais do que em quase qualquer outro ponto da compra de combustível.
Acordos de fornecimento a preço fixo
É aqui que um serviço como a FuelAnchor encaixa. Em vez de tentar acertar no momento do mercado ou de imobilizar tesouraria em armazenamento, uma empresa pode fixar um preço máximo por galão para o seu fornecimento de combustível durante um período acordado. Se os preços de mercado subirem acima desse teto, a empresa continua a pagar a tarifa fixada. Se os preços descerem, há flexibilidade prevista para que a empresa não fique presa a pagar mais do que o preço do momento. Não é uma forma de apostar para onde vai o petróleo. É uma forma de tirar por completo esses palpites do orçamento, para que um gestor de frota possa orçamentar trabalhos, planear rotas e prever custos sem ver as notícias todas as manhãs.
Como decidir o que é certo para a sua empresa
Comece por ver que parte do seu custo operacional total o combustível representa. Se for uma fatia pequena, o argumento a favor de uma estratégia formal de proteção do preço é mais fraco. Se o combustível for um dos seus três maiores custos, mesmo oscilações de preço moderadas podem mexer com o resultado o suficiente para contar.
Depois, pense na sua exposição contratual. Se dá aos clientes preços fixos com meses de antecedência, sejam tarifas de transporte, taxas de entrega ou contratos de serviço, está a carregar o risco de preço do combustível por eles, quer o tenha reconhecido quer não. Esse costuma ser o sinal mais claro de que vale a pena pagar por alguma forma de certeza no preço.
Tenha também em conta a sua tolerância de tesouraria. O armazenamento a granel imobiliza capital. Acompanhar e reagir imobiliza atenção. Um acordo de fornecimento a preço fixo pede em geral um desembolso mais regular e previsível em troca da eliminação do risco de picos. Pese essa troca face a quão doloroso seria de facto um mês mau para a sua empresa, não só financeiramente mas também operacionalmente.
Algumas perguntas a fazer antes de se comprometer
Antes de assinar o que quer que seja, pergunte o que acontece se o seu consumo de combustível mudar de forma significativa, se o preço máximo se aplica a todos os locais ou só a alguns e com que rapidez pode ajustar o acordo se a sua frota crescer ou diminuir. Pergunte o que desencadeia uma revisão de preços e que transparência o fornecedor oferece sobre a forma como as tarifas são fixadas. Um bom fornecedor deve conseguir responder a isto com clareza, sem frases vagas sobre as condições de mercado.
Se neste momento está a absorver as oscilações do preço do combustível sem qualquer proteção formal, o primeiro passo mais sensato não é mudar tudo de um dia para o outro. É tirar a sua despesa com combustível dos últimos doze meses e compará-la com as oscilações de preço que houve nesse período. Esse exercício, por si só, vai dizer-lhe, em números simples, quanto a volatilidade já lhe custou e se vale a pena estudar um preço máximo para o próximo ano.
Este artigo traduz um guia escrito para o mercado norte-americano; os preços estão expressos por galão. O método vale da mesma forma para uma empresa em Portugal.
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